quarta-feira, 2 de junho de 2010

Guisado de Tatu-Galinha












Recentemente um amigo meu vindo de Salvador, indagou-me se eu gostaria de preparar tatu, sabendo que eu aprecio experimentar de tudo na cozinha. De imediato, lhe informei que a carne de tatu, como de outros animais silvestres era impossível de se encontrar, pois a caça e a comercialização deste animal é proibida no Brasil.
Para minha alegria, ele informou-me que tudo seria feito em conformidade com a lei, pois a carne que comprara tinha o aval de um criatório em uma cidade próxima à capital baiana.
Sendo assim, encomendei dois espécimes, já abatidos e congelados, que preparei desta maneira (a receita pode ser repetida com coelha, resguardando-se o tempo de preparo):

Ingredientes (para 10 pessoas):

2 tatus-galinha de 3 kg cada;
3 cebolas picadas;
1 cabeça de alho picada;
500 ml de vinho tinto seco;
1 colher de sobremesa de pimenta do reino preta moída;
sal à gosto;
1 maço de alecrim;
1 maço de coentro;
1 maço de tomilho;
10 folhas de sálvia;
1 salsão (aipo);
1 maço de salsinha;
1 maço de cebolinha;
2 limões;
4 tomates.

Modo de Preparar

Desmembre os tatus em partes (patas, peito, costelas, dorso);
Bata os alhos até que virem uma pasta;
Passe essa pasta sobre os pedaços, juntamente com a pimenta do reino, o tomilho, a sálvia picada e o alecrim o suco dos limões e 300 ml de vinho;
Deixe marinar por 24 horas;
Tempere de sal;
Prepare um refogado com azeite e cebola e coloque os pedaços para que fritem dos dois lados;
Após isso, acrescente os tomates, o restante do vinho e da marinada, o coentro picado, o aipo picado e a salsinha picada;
Regule de água se necessário e deixe cozinhar por 4 horas ou até que esteja macio, soltando do osso;
Acrescente a cebolinha picada e sirva com farofa de azeite de dendê bem baiano.





Como Criar Tatu ?

A carne e o casco são dois produtos comerciais desta espécie silvestre, que só pode ser criada com autorização do IBAMA.
Nem dá para imaginar que o casco duro que envolve o corpo do tatu (Euphractus sexcinctus) esconde uma carne macia, leve e de sabor marcante. Mas segredo isso também não é. De fato, é o motivo que levou à instalação de criadouros, em especial na Bahia e no Rio Grande do Norte. Além de oferecer proteína de qualidade para consumo e o próprio casco como matéria-prima para a confecção de peças de artesanato e de decoração, o animal tem sua criação como atividade em potencial pelo interesse de conservacionistas e mantenedores da fauna.
O tatu, muito comum em todo o território nacional, assim como na Argentina, Bolívia, Paraguai, Suriname e Uruguai, possui características ideais para produtores com pouca experiência. Rústico e de fácil manejo, seu desenvolvimento em cativeiro não demanda muitos cuidados. Porém, para entrar no negócio, exige-se autorização do Ibama - Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, uma vez que se trata de espécie silvestre da fauna brasileira. Assim como pacas, catetos e capivaras, entre outros, a criação do tatu deve estar de acordo com as normas do órgão ambiental.
Das espécies existentes, o tatu-peba é o mais criado atualmente, embora o galinha também seja adequado à atividade em cativeiro. Ambos são dóceis no contato com o ser humano, o que facilita o trabalho do produtor. Vivem por cerca de dez anos e comem de tudo. Gostam de raízes e frutos e até de insetos e pequenos invertebrados. Índios da etnia pankararé, localizados em área indígena no município baiano de Paulo Afonso, são considerados importantes criadores do tatu-peba pela prática de muitos anos. Desde dezembro de 2009, contam com um projeto aprovado pela Fabesp - Fundação de Apoio à Pesquisa da Bahia para o desenvolvimento da atividade local.
De cor castanha e comprimento médio de 40 centímetros, o tatu tem hábito noturno. Só à noite sai da toca, que cava fazendo túneis profundos para se abrigar. Em terra firme é ágil e, na água, nada bem. O abate pode ser feito entre 12 e 18 meses de idade, período em que o animal tem peso na faixa de dois a três quilos.
É bom contar com um local que proporcione um ambiente natural ao tatu. Uma solução é construir viveiros, cuja infraestrutura custa cerca de R$ 4.000 cada um, incluindo mão de obra e material. O preço total de caixas de recria e equipamentos é de R$ 800, enquanto que R$ 1.500 são suficientes para o plantio de roças, R$ 2.000 para o registro no Ibama e mais R$ 1.500 para o capital de giro da atividade.

19 comentários:

  1. Olá, João Mario!
    Estou aqui pensando qual seria o gosto de um Tatu? rs
    sinceramente eu não faço idéia. Pelas fotos, parece divino e eu comeria com toda certeza.
    Agora, preparar um prato desses, não é pra qualquer um não meu amigo!!
    Mas como todo bom "Chef", sempre uma carta na manga.
    Um abraço
    Lilla

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    1. Você só não explica na receita é como tirar a carapaça do tatu. Como se faz para tirar ?

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  2. Nossa João Mario, que delícia! Lembro de ter comido tatu quando pequena e adorado! Fiquei com vontade de repetir a dose!

    Abraço!

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  3. Maravilha, morei mais de 18 anos no centro-oeste do Brasil, e comi muito tatu na fazenda, quando crianca. Lembrar dessa carne me traz o cheiro do mato na hora... Parabéns, delícia de postagem!

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  4. Não imagino o sabor dessa carne, mais confesso que esse passo a passo que vc demonstrou me fascinou, e pena que é tão difícil encontrar essa carne, mais prometo que um dia vou prepara-la e do jeitinho que tu colocou aqui. beijinhos

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  5. Meu Deus!!!! KKKKKKK!!!

    Há que se ter coragem...ou criatividade, coisa que não falta nessa cozinha!

    Legal demais, mas juro que prefiro comer a ter que fazer...rssss...sorry!

    Abraço,
    (Tomara que no incrível livro que eu vou ganhar não tenha carne de tatu, please!!!!)

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  6. Que guisos tan buenos nos presentas. Este tiene una pinta estupenda. Un saludo

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  7. Já experimentei, confesso que na época até gostei, mas hj pensando e relembrando sabores, acho que não comeria mais... é muito forte!

    Também comi carne de criatórios. Caça nem pensar...

    Gostei de relembrar os tempos de infância e as viagens da familia.

    bjsssssssssss

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  8. Achei legal, mas não sei se conseguiria provar...rs.
    Abraços

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  9. Oi, João,

    Involuntariamente você me lembrou o meu pai. Ele costumava caçar com irmãos e amigos (nessa época não existia o Ibama, rsrs). Dessas aventuras eles apareciam com todo tipo de bichos, principalmente tatus (mas também javalis, pacas, galinhas d'angola etc). Eles serviam os tatus com uma farofa, sabe?
    Hoje, por simpatia ao animal, eu não como nem carneiro, cujo carne era a minha preferida, rsrs.

    Beijão e bom fim de semana

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  10. Non parlo la tua lingua, ma la leggo e capisco quasi tutta. Ho provato questo tipo di carne in Venezuela, ma sono rimasta malissimo quando ho conosciuto l'animalino!!!!Mai e poi mai ho voluto più mangiarlo!!!!!Sto diventanto vegetariana al pensiero.....!!!!!!Però gli usi ed i costumi devono andare avanti!!!!!!!Buona notte deny

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  11. Ai meu Deus, vc comeu ele tão lindinho!

    Como sempre falo vc é Chef mesmo. Chef tem encarar miudos disso, miudos daquilo..

    Joao vc fez e comeu os lindinhos?

    Ave! De um lado vou fazer uma Wook com minha frigideira na sua cabeça, do meu outro lado te perdoo.... No fundo até te entendo.

    Eita 2 Tatuzinhos na panela...
    Joao faz peixinho mesmo. Não sei porque peixe eu não criei laços afetivos.

    Beijao da Priscila (MG)

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  12. Nossa, voltei la atras, ao meu tempo de crianca, minha mae nao tinha coragem de fazer o tatu pro meu pai, que levava pra vizinha fazer,rs.
    Mas ele ama tatu e eu tambem comia , ja nem lembro o gosto mas sei que era com farofa.
    Que legal.
    Adorei seu blog, bastante receitas de peixe , vou voltar aqui e fazer uma depois conto como foi. Obrigado pela visita.

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  13. muito bom um sabor deslumbrante so sabe dizer quem ja apreciou .....para quem ainda nao provou experimente garanto que nao se arrependeras

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  14. Meu marido esta fazendo neste momento seguindo esta receita vamos ver se fica bom !!! Depois comento novamente ... rs

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  15. onde é que eu encontro tatu para comprar?

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  16. Vlw pela receita, vou deixar o meu no ponto agora. Amanhã vou saborea-lo.

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